terça-feira, 21 de março de 2006

semana cinzenta


Esta semana tem sido dia não dia não, mas melhores dias virão...
Talvez seja a porcaria do tempo que em vez de melhorar, só piora.
Falta aparecer o sol...
A construção da casa que estamos a fazer no campo também não tem alegrado a semana, visto que tá bem mais atrasada do que pensava...
Melhores dias virão.

segunda-feira, 20 de março de 2006

"Saudadinha"

Temos dias em que sentimos a falta de alguém. Hoje é um desses dias.
De me falar ao ouvido, de me sussurrar uma piada, de me chamar como mais ninguém o faz, de gozar comigo da maneira mais ternurenta...
De gostar assim de mim.
De mesmo longe saber que vivo nele, e alugo um espaço muito especial, que é partilhado por um passado só nosso.
De saber que se preocupa como um pai...
Hoje estou assim, com saudades de ti.
Mano

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Longe de casa

Saudade de um sítio que possa chamar casa
Uma rotina que, sem darmos por isso, nos é tão querida
inigualável a outra qualquer vida
Segura de demonstrar quem somos
Num qualquer gesto que nos molda
tornando únicos os nossos sonhos

Os sons de sempre
Os silêncios que moldam um constante encanto
Os aromas que nos invadem diariamente
Os sonhos compartilhados, revelados em cada canto
Por entre o que nos é permanente

Saudade de um caminho que não é mais o meu
Que por tempos me pertenceu
Me acompanhava a cada instante
E me falava já dos seus momentos
Que eu encorajada pela lua transcrevia em palavra minhas,
Parecendo que a cada pedrinha me pertencia
Por uma rua que já não é a minha.

Na esperança de encontrar um novo caminho
Procuro alcançar por agora a paz
de quem acredita que sozinho
irá encontrar como certo a sua sina
algo que tanto precisamos, uma palavra tão vulgar como
Rotina.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Caminho de casa

Caminho de casa.
Olham-se as luzes e pensa-se baixinho
É tão bom viver, sentir a liberdade e tudo o que vejo e o que não posso ver
O que nos faz acreditar em nós, sem medo, com muito carinho
Em nós, por sermos assim, tal e qual o que se vê, podem crer.

Deslizo numa rua torta que me leva um passo de cada vez
Num caminho que pisando todos os dias, me acalma e me consome ao mesmo tempo
Acalma nos dias que irritada grito ás pedras da calçada, que me sussurram insensatez
Consumindo-me a repetição do incolor de uma rua que luminosa, se adormece, num trapo.

De longe parece-me cheirar o mar...ou será ele a procurar-me
Sinto a falta de me deixar abraçar
De me entregar em palavras
De me largar no seu gosto
De me esconder no seu som
Descobrir os seus segredos
E revelá-los em folhas, onde transporto o seu aroma a sal e saudade.

É assim que num caminhar solitário
Acabo por me transportar onde quero, sem sair do meu percurso
Levando-me a quem faz de mim um ser prioritário
Fazendo-me viver na verdade e na felicidade por ser quem sou.
Assim, tal qual me vêem.

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Desabafo

A ignorância pode ser uma característica de muitos, mas só envolve o nosso desprezo, quando não é admitida.
O fraco que se acha forte, acaba por se tornar um traste.
Assim como o poderoso que não brilha, que só canta o que ninguém quer ouvir, que tenta impingir uma verdade que não existe, que nem ele próprio tem a capacidade de a criar, é simplesmente triste.
Uns tristes.

terça-feira, 20 de setembro de 2005

A primeira febre

Este dia fica marcado pela primeira febre da Catarina. E para primeira febre não esteve mal...39.1!!!!!!!!! Até falta o ar! Desde manhã que só dorme, o coração até parece desaparecer-me, escapa-se pela vontade de sentir tudo por ela.
Amanhã é outro dia...
Positivo: O facto de ter tido a primeira febre quase aos 17 meses!

Pais

Queremos o melhor para quem foi feito por nós,
Querendo proteger de tudo o que de mau os rodeiam
Deixando que a sua luta diária é muitas vezes vencida a sós
Sabendo que estamos sempre numa sombra, num apoio que anseiam.

Sente-se que aos poucos os nossos braços não são suficientes,
A vida tem muito mais que conhecer dos que estas mãos
Que apesar de os agarrar como ninguém,
Não permitem que voem, longe, arriscando o mundo
Aprendendo que o sonho os ajuda a ultrapassar o medo
que o sonho os permite alcançar vitórias, e nelas vencer todas as lutas que forem preciso ganhar, ou perder, dependendo do destino...
E que em todas as alternativas que a vida lhes dá
Lá estaremos nós
E nos nossos braços acabarão por se confortar, na tristeza
Embalar o próprio choro
Combater o ódio que nos transforma, sem querermos
Desmaiando num suspiro de cansaço
Abraçando a alegria de todas as vitórias,
E aproveitando, ao ouvindo respira-se a entrega.

Um amor verdadeiramente incondicional,
Que nos leva a duvidar de uma palavra menos terna
Não esquecendo que crescer, também é dor
De aprender a viver e de saber perdoar, e contendo a dor materna
Diz-se o que eles, por razões mais fortes, não entendem
Que estamos sempre aqui, num amor sem rancor,
Firmeza e rigor, sem esquecer que Pai e Mãe só é Amor.

domingo, 7 de agosto de 2005

À espera...

À espera de um milagre, que renove tudo o que de cinzento pode ter a vida.
É assim que tantas apostas surgem para ganhar algum dinheiro, pensando que este cinza dará lugar a uma nuvem de cores nunca vistas. Apostas que se juntam a uma descrença, apenas para se poder imaginar o que poderia mudar, o que se faria de imediato, o que diríamos a quem menos gostamos, e como diríamos a quem amamos; mas sempre com a certeza de que os números mágicos não seriam nossos.
Vivemos de momentos. Queremos segundos de prazer, de paixão, de felicidade, de esquecimento...
Queremos contornar a nossa vida, de momentos inebriantes, que nos embriaguem da realidade, e nos levem onde sabemos nunca iremos chegar. Ter a Lua na nosso olhar, e deixar que nos embale para perto dela, tão perto que sem respirar sentimos o perfume das suas palavras. E assim viajamos perto do céu, talvez criado por nós, mas tão real como a vida! A vida que é a nossa, e que dela fará sempre parte estes momentos, estas viagens por locais desconhecidos, criados pela fantasia de sermos imortais...por segundos de prazer, felicidade.
Mas sempre presente, o Amor. Sem ele nunca acontecerá esse milagre.

quarta-feira, 27 de julho de 2005

BALLET GULBENKIAN

Ballet Gulbenkian faz parte desse passado, e apenas poderei dizer que tenho pena que fechem as portas a tantos sonhos que fazem a Gulbenkian ser a mais bonita companhia de dança em Portugal, com a qual cresci aprendendo a exigir o melhor de mim...

Passado


De um passado nasce, sempre, esta minha lágrima.
A verdade é que hoje sei que nunca terei a felicidade de dançar...
Esta verdade trespassa-me, e faz-me acreditar que um dia vou conseguir assistir à perfeição de um bailado, assim, de uma vez só, sem pausas, sem faltas de ar, com a certeza que apesar de não mais me rever naquele passo, naquela pirueta, na fita tão apertada da sapatilha, um dia poderei contar aquilo que não fui, à minha filha. Sem lágrimas.
Sei que nem todos podem dizer que já amaram fazer o seu trabalho, eu sei.
Sei a falta que me faz esse amar.
Sei que nem que seja por breves instantes, sonharei nessa felicidade, todos os dias.
E por ela, choro.
Quando sinto falta desta poesia, venho aqui desabafar, para mim mesma, sem esperar que me ouçam, como sempre foi. E sinto-me mais perto da imaginação, da criatividade, da tentativa de atingir um pequeno paraíso de palavras e sons que no silêncio transmito, calando assim a minha consciência, pelo menos por mais uma noite, e dormir sabendo que de manhã tudo será diferente deste momento. Que a criação morre entre quatro paredes não permitindo ser...
E assim vivo fechada...numa lágrima!